sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011


Muito além do edredon
Por Beto Volpe
www.inclusive.org.br

Brasil 2016: o país sede das Olimpíadas firma-se como uma das três maiores potências mundiais no quadro de medalhas. Sonho? Talvez nos Jogos convencionais, mas nos Para Olímpicos é o mínimo que se pode esperar, ao menos do atletismo.
O Brasil encerrou neste final de semana sua participação nos Jogos Mundiais da modalidade na Nova Zelândia, atrás somente de China e Rússia e superando potências como Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos. É de encher de orgulho todos os brasileiros e brasileiras. Mas o heróico feito passou quase desapercebido pela mídia, ela estava muito ocupada com outras disputas.
Recentemente o jornalista Pedro Bial referiu-se aos participantes da última edição do Big Brother Brasil como “heróis que terão que superar um árduo caminho até a vitória”. Será que ele ouviu falar de André Oliveira? O atleta de prata do salto em distância teve uma lesão gravíssima do joelho quando praticava a modalidade, acreditando ter encerrado sua carreira esportiva. Claro, aconteceu tudo ao contrário, ele recebeu um convite para continuar a pratica do esporte e hoje se revela uma das grandes esperanças de medalhas nos Jogos Para Olímpicos.
Será que ele conhece a velocista deficiente visual Terezinha que, além de garantir três medalhas de ouro para seu país, deu uma lição de humildade e companheirismo ao quebrar o protocolo da competição e subir ao pódio junto a seu atleta guia, dividindo com este seu ouro uma vez que somente o atleta principal recebe medalhas? Comportamento típico de qualquer grande irmão. É, Bial. O tal zoológico humano não contempla nosso mundo. Aliás, a maioria dos brasileiros e brasileiras só se enxerga nos participantes por serem eles o sonho de consumo da atualidade: ser burro, bonito e com dinheiro no bolso. Nem que para isso precise apunhalar seu aliado ali mesmo, embaixo do edredon.
Nossos heróis não têm a forma física baseada no retângulo áureo e nem são exemplos da beleza de fácil consumo. São pessoas de origem muito humilde, de trajetória extremamente complexa e que mantém o espírito de solidariedade mesmo em competição, pois sabem que o importante é competir. É, Bial, nossos heróis são diferentes dos seus. Os nossos heróis são os mais legítimos representantes de um povo que ainda vive baseado em regras de exclusão. E que dão ao mundo um exemplo de sucesso com luta e honradez, muito além do edredon.


Parabéns aos e às participantes do
Campeonato Mundial de Para Atletismo.
Parabéns à heróica delegação brasileira pela participação!

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