quinta-feira, 14 de abril de 2011

EDUCAÇÃO INCLUSIVA X EDUCAÇÃO ESPECIAL


DEBATE DA SEMANA

Encaminho a vocês um texto que nos dá uma possibilidade de discussão a cerca da inclusão...


A EDUCAÇÃO INCLUSIVA E A EDUCAÇÃO ESPECIAL

Por: Naira Pereira Presidente do Instituto Travessia

O jornal O Globo publicou uma reportagem sobre a possibilidade, até o fim do ano, do fechamento de duas instituições federais dedicadas a Educação Especial: O Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), e o Instituto Benjamim Constant que atende deficientes visuais. De acordo com a matéria, a diretoria de Políticas Educacionais do MEC pretende fechar os dois estabelecimentos e incluir seus alunos na rede pública municipal e estadual. Por um lado, quem defende o fim das instituições dedicadas ao atendimento de pessoas com necessidades especiais, aponta a necessidade humana da interação social e comunitária e os efeitos negativos da convivência exclusiva entre pares. Por outro lado, quem defende a continuidade desses espaços aponta a atual conjuntura das redes de ensino públicas e eu até diria da rede privada que não se encontra preparada para a atenção especial exigida em cada tipo de necessidade especial. Quem está certo? Quem defende o fim das instituições especializadas defende o que é ainda uma utopia. Sabemos que para avançarmos na políticas públicas em geral e na de educação em particular precisamos sempre ter em vista aonde queremos chegar. Porém, para milhares de crianças, adolescentes e familiares aonde queremos chegar se encontra muito distante de um dia a dia de incontável angústia de como lidar com o hoje. De como lidar com as pequenas habilidades de sobrevivência e aprendizagem por aqueles que tem um desenvolvimento fora dos padrões de normalidade. Para essas crianças e adolescentes o desejo de uma educação, uma escola inclusiva não é retórico. Não é apenas ideológico. É um desejo concreto, pragmático e urgente. Esses pais sabem o que representa, nos dias de hoje, ir de escola em escola procurando uma vaga. Na rede pública a vaga é garantida. Mas o espaço não é. O desejo, habilidade, disponibilidade não é. Eles se sabem finitos e a cada dia em que as habilidades necessárias a sobrevivência e a construção de uma autonomia e de um futuro não avançam para seus filhos, eles morrem um pouquinho. Ir a reuniões de pais que seguem a vida e os conteúdos programáticos com desafios maiores ou menores, mas com possibilidades concretas de aproveitamento chega a ser cruel para aqueles que têm filhos com necessidades especiais. O dia a dia das escolas inclusivas não inclui o debate dos específicos e especiais. E para as crianças, adolescentes e seus familiares a educação inclusiva só será de fato inclusiva quando o “especial” se tornar pauta também.


E o que você acha?

Como sua cidade vivencia a educação inclusiva?


O Instituto Travessia quer debater com você sobre esse tema. pontes@institutotravessia.com

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