segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Descendo das PONTAS DOS PÉS

Quadros em que crianças com autismo marcham nas pontas dos pés são relativamente frequentes e podem ser causadas por múltiplos fatores, tais como alterações de comportamento, mudanças no processamento sensorial e modificações no tônus muscular da região da panturrilha. Uma equipe interdisciplinar, composta de especialistas de várias áreas, que tenham experiência em transtorno do espectro autista, saberá diferenciar se a marcha nas pontas dos pés é fruto de alguma doença provocada por paralisia cerebral ou apenas uma atitude proveniente de uma alteração no comportamento e/ou no processamento sensorial da criança. Os autistas “puros”, ou seja, aqueles que não têm comorbidades (doenças que ocorrem junto com a deficiência), em geral não apresentam alterações de tônus muscular. Em quadros assim, é contra-indicada a prescrição de algum tipo de órtese suropodálica para posicionamento dos pés (as chamadas goteiras corretivas). O esperado é que em algum momento a criança desça das pontas dos pés (ao sentar-se ou deitar-se, por exemplo), o que naturalmente irá alongando a musculatura da panturrilha, contribuindo para preservar a amplitude do movimento. A prescrição de órteses, nesses casos, precisa levar em conta que seu uso pode desencadear outras alterações de comportamento – a criança pode vir, por exemplo, a se negar a andar sem a órtese. Nos raros casos em que o uso da goteira é indicado, a orientação interdisciplinar dirigida aos pais deve destacar aspectos como a apresentação adequada do equipamento à criança, seu tempo de uso e de descanso e, sobretudo, a previsão de sua retirada definitiva. Quando o autista permanece o tempo todo nas pontas dos pés -- o que pode levar a lesões e contraturas musculares sérias nas panturrilhas --, recomenda-se aos pais e/ou cuidadores que tratem o local com massagens, bolsa de água quente e manobras de alongamento, a fim de aliviar a tensão. fonte: SCHWARTZMAN, JS, ARAUJO, CA. Transtorno do espectro do autismo. São Paulo: Memnon, 2011. FONTE: http://transtornosinvasivosdesenvolvimento.zip.net/arch2012-10-14_2012-10-20.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário