sábado, 9 de maio de 2015

FELIZ DIA DAS MÃES

"Ser Mãe é imaginar um lindo quadro, pensar o desenho, visualizar o resultado e pincelada após pincelada colorir o sonho, harmonizar as cores, sabendo que chegará o momento em que o desenho saltará da tela, ganhará vida e irá em frente... é parir, cuidar, educar e deixar ir... Este é o desejo de todas as Mães, mas não é assim com todas, pois algumas, por força das circunstâncias serão, para toda a vida, Mães Especiais de Filhos Especiais: autistas, down, e tantas outras síndromes, que escolhem alguns para serem amados de forma particular, por essas incansáveis Mães. Não estão sozinhas, a elas se juntam muitas outras que tiveram filhos saudáveis, mas que por circunstâncias da vida adoeceram, se acidentaram, e ficaram dependentes de mães igualmente incansáveis que terão que caminhar lado a lado, numa batalha diária, alegrando-se com as pequenas conquistas. Mas há Mães de braços vazios, que gestaram felizes, esperando o momento de segurar o filho sonhado, que logo partiu, deixando uma dor e um vazio. Vazio também restou às mães que, por dias, meses e anos, embalaram, acariciaram, amaram e num momento trágico perderam... São mães de olhos úmidos, coração apertado, que procuram nos rostos que passam nas ruas, a imagem do que se foi... Mãos vazias, nó na garganta e uma pergunta sem resposta: por quê eu? Impossível não lembrar das centenas de Mães que aguardam um milagre, insones, à beira de um leito, sem calar a prece que trazem no coração. Milagre também esperam as mães de desaparecidos, ansiosas por encontrá-los um dia... Mães de luto e Mães que lutam, por filhos perdidos na vida, no tráfico, no vício, à margem... que não dormem por medo da notícia ruim que, a qualquer momento, chegará... Especiais as Mães do coração, de coração, às quais foi negado o dom de parir, mas não desistiram e receberam como seus os filhos que escolheram amar, e amam, amam, amam como aquelas que, mesmo tendo os seus, acolheram outros, por terem amor de sobra para dar. Mães especiais trabalham fora e sentem culpa por não estarem perto, trabalham dentro e sentem culpa por estarem ocupadas demais, outras nem trabalham tanto, e sentem culpa por acharem que deviam ser mais presentes, e as presentes sentem culpa por estarem perto demais.... Mães... não há melhores nem piores... Há as especiais. Mães são pessoas, sensíveis, frágeis, que se fortalecem ao perceberem que entraram num caminho sem volta e que estão enlaçadas e definitivamente ligadas à vida do filho, em um nó invisível, impossível de ser desfeito." Extraído de "Diário de uma Mãe Especial"

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