sábado, 27 de fevereiro de 2016

Fundação Dorina - o Pequeno Príncipe




Para quem já leu, um livro inesquecível. 
Para quem ainda não leu, imperdível! 

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 Ah! Também é de domínio público, então todos podem conferir! 
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O aluno com síndrome de Down é 
café com leite? 

Lembra daquele menino que era desajeitado, mas insistia em jogar futebol? O professor colocava o garoto em um time e lá ficava ele, correndo e esperando que alguém lhe passasse a bola. E ninguém passava. Ele estava no jogo, mas não estava jogando. Ele era “café com leite”.

Ser “café com leite” tem muitos efeitos sobre a criança ou jovem. O primeiro é a percepção da condescendência e baixa expectativa: “apesar de saber que você não é capaz, eu deixo você participar”, o que traz como conseqüências imediatas a baixa auto-estima e a desmotivação. O mesmo pode acontecer com o aluno com alguma deficiência em classe regular, quando seu professor o vê como uma criança que está ali, mas não conseguirá aprender. Este educador adota esta postura geralmente com a intenção de proteger ou evitar frustrações para seu aluno por estar mais focado em suas dificuldades que em suas competências. Mas a criança que percebe que está sendo tratada de maneira desproporcional a sua capacidade, esta sim se frustra, se entristece, se desinteressa. Ela estará no jogo, mas não estará jogando.
Para que o aluno com síndrome de Down deixe de ser ou não se torne um aluno “café com leite”, para que ele seja um aluno que, além de estar na escola, participa e aprende, há que se refletir sobre um conceito básico: compromisso. Um compromisso que deve partir da escola, da família e do próprio aluno. Se qualquer um destes elementos encarar a aprendizagem de forma leviana e indiferente, não há como se alcançar sucesso. Chega de procurar culpas e desculpas para as dificuldades de aprendizagem de crianças com síndrome de Down. A família culpa a escola, a escola culpa o professor, o professor culpa a família e todos têm como desculpa a deficiência, e desperdiçam tempo, energia e afeto que poderiam investir na aprendizagem da criança, baseados em suas possibilidades.
Muitas vezes, as famílias depositam na escola e nos terapeutas a função de ensinar, de impor regras sociais e valores, quando deveriam participar efetivamente tanto na construção realista das expectativas, quanto na construção da aprendizagem de seu filho. Mostrar à criança o quanto aprender é importante, valorizar as aquisições e dar funcionalidade aos conteúdos trabalhados na escola, demonstra a ela que sua aprendizagem está sendo encarada (e aguardada) de forma séria e coerente.
Algumas atitudes dos familiares, muitas vezes inconscientes, camuflam a postura “café com leite”: supervalorizar o fato de que a escola “aceitou” seu filho , deixar que falte por motivos pouco importantes, fazer a tarefa por ele, não exigir dele o que exigiria se não tivesse a síndrome (se esforçar, arrumar seu próprio material, respeitar horários da escola, tirar boas notas, etc.). Ninguém coloca um filho na escola sem esperar e cobrar que ele aprenda. Porque deveria acontecer assim com crianças com síndrome de Down? A criança é a primeira a captar esta postura condescendente, e a fazer uso dela em benefício próprio.
A criança é fruto do meio em que vive, dos estímulos que lhe são oferecidos, dos modelos que recebe, e vai dar respostas correspondentes ao que se espera dela. Se a criança vive submetida a baixas expectativas, sendo sempre tratada como criança ou aprendiz incapaz, ela vai continuar sendo criança ou aprendiz incapaz, vai se desenvolver pouco emocional e intelectualmente. O interesse do aluno em aprender é fundamental e muitas vezes subestimado. Pais e professores constroem esta motivação que leva o filho ou o aluno a querer aprender através do modelo, da relação de confiança, passando pela auto-percepção e pela auto-estima, levando a criança a conhecer e assumir seu lugar em casa, na escola e na vida.
É preciso que a criança ou o jovem estejam comprometidos com sua própria aprendizagem, pois para aprender é preciso querer e de nada vale ser o depositário de informações não desejadas e não utilizadas. O aluno com síndrome de Down precisa (ou melhor, todos os alunos precisam) saber por que é importante aprender, onde se pretende chegar com tantas aulas, atividades, tarefas, conteúdos e provas. Um sentido para sua aprendizagem, algo que todo e qualquer aluno deveria ter.
Cada criança, tenha ela síndrome de Down ou não, é um indivíduo com suas forças e fraquezas, seu próprio potencial e seu índice de desenvolvimento. Quando ela passa a viver exclusivamente em função do que esperam dela ou da imagem que construíram para ela, se destitui de sua identidade própria e suas chances de sucesso, de autorrealização e de felicidade se tornam menores. É preciso deixar que a criança suporte e vivencie seus próprios riscos, tanto os acertos quanto os erros, para que encontre o equilíbrio necessário para seguir adiante baseada no próprio conhecimento. Acreditar no que é possível e real movimenta esquemas cerebrais que fazem com que as coisas aconteçam, porque envolve o indivíduo emocionalmente na situação, o faz crescer e ir em busca dos resultados, superando seus obstáculos e limitações.
A escola tem papel fundamental na formação de um indivíduo autônomo, tenha deficiência ou não. Juntamente com a família daquele aluno, a escola estará formando um cidadão com direitos e deveres. E, como tal, como um aluno que tem o direito da aprender, mas que também tem o dever de se empenhar para isso, é que o aluno com síndrome de Down deve ser encarado. Os princípios da pedagogia atual dizem que todas as pessoas podem ser inteligentes, porque a inteligência não é inata, mas se constrói. Conhecemos hoje também o conceito de inteligências múltiplas, que demonstra que cada um tem seu canal de acesso e de expressão de habilidades. Ou seja, todos aprendem. A inteligência é ativa, móvel, modificável pela ação externa, e não determinada apenas por fatores orgânicos, genéticos ou hereditários. Pessoas com síndrome de Down, mesmo apresentando algum tipo de atraso cognitivo, desenvolvem suas inteligências quando devidamente mediadas por educadores, familiares e terapeutas. E é nisso que o professor deve investir: em acreditar nas capacidades do aluno em aprender e em suas capacidades como professor, de fazer parte desse processo da construção desse caminho de aprendizagem. .
Muitas vezes, por subestimar ou para poupar um aluno que acredita não ser capaz de aprender, o professor oferece conteúdos muito aquém de suas capacidades ou totalmente diferentes daqueles abordados pelos colegas, caindo inevitavelmente na desmotivação. Se a uma criança não solicitamos sempre algo novo, proporcional às suas capacidades, ela regride para comportamentos mais fáceis e mais conhecidos. Devemos solicitar às crianças algo mais daquilo que já sabem para estimular a transferência das próprias habilidades para novos campos de experiência. Isto só é possível quando há confiança nas possibilidades da criança, confiança realista que não superestime, mas nem menos subestime o nível no qual ela pode operar e não impeça seus próprios interesses e motivações de se manifestar.
Como em casa, a visão de “café com leite” que a escola atribui ao aluno se revela de diferentes formas: permitindo ao aluno com síndrome de Down atitudes que não permitiria aos outros (sair da sala, ficar deitado no chão, mexer no material dos colegas, não cumprir com combinados, etc.), não mandar tarefas para casa, não cobrar normas ou atividades solicitadas a todos, oferecer atividades muito fáceis, dar um jeitinho ou aceitar desempenhos muito baixos. Essas atitudes de desconsideração desmerecem seu potencial e funcionam como freio, um congelamento no movimento da criança em atuar de forma ativa em sua própria vida. Mais uma vez, o aluno percebe a postura condescendente dos que o cercam, e responde no mesmo nível de expectativa, entendendo que ter a síndrome lhe autoriza a tudo e não lhe exige aprendizagem.
Ter um filho ou aluno “café com leite” resulta em economia na expectativa e no investimento, e numa conseqüente resposta econômica por parte da criança, ou seja, ninguém faz tudo o que pode ou precisa ser feito – nem ela, nem seus pais, nem seus educadores. Encarar o aluno com síndrome de Down de maneira séria significa que o aluno vai dar o máximo de si, enquanto a escola e o educador estarão dando o máximo deles também. Ninguém estará fazendo de conta, nem que aprende, nem que ensina. A criança com síndrome de Down merece e pode estar no jogo.

Por: Josiane Mayr Bibas e Maria Izabel Valente
Texto publicado originalmente no Inclusive.

Praça em Florianopolis (SC) recebe brinquedos inclusivos


A praça da Beira-mar Continental, em Florianópolis, foi escolhida para ser a primeira a receber equipamentos de parque infantil adaptados para as pessoas com deficiência física. Um balanço e um gira-gira foram instalados e ainda estão em fase de testes.
Para que a criança possa fazer o uso correto do equipamento, ainda serão executados alguns ajustes, como placas explicativas e a revitalização dos acessos, que será feita com calçadas planas e seguras, como explicou o secretário do Continente, Aurélio Rocha dos Santos: “Estamos em fase de acabamento nas obras de melhoria e adequação do parque infantil, iremos realizar a troca da areia no espaço, fazer a construção da calçada ao redor e também implantar rampas que dão acesso aos brinquedos adaptados para integração de crianças cadeirantes”, disse.

O balanço, que é exclusivo para os cadeirantes, terá uma rampa de acesso ao brinquedo e corrimão para a segurança da criança. Já o gira-gira será um brinquedo inclusivo. “O modelo chama a atenção e esperamos que seja instalado em todas as praças. O grande diferencial do gira-gira, por exemplo, é que o cadeirante não precisará brincar sozinho. Sendo um brinquedo inclusivo, a criança poderá compartilhar o momento com outros colegas não cadeirantes, fazendo com que se sinta acolhido”, afirmou a coordenadora de Políticas Públicas para as Pessoas com Deficiência de Florianópolis, Fernanda Baggio Gasperin.

Na última semana, foi feita a colocação da tela de proteção em torno do parque infantil, oferecendo mais segurança às crianças que desfrutam dos brinquedos. A instalação do parque e da academia ao ar livre veio atender a uma solicitação da comunidade. 
FONTE:  Floripa - Notícias, Turismo e Cinema em Florianópolis

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Pessoas com síndrome de Down podem comer brócolis?

Alguns médicos pediatras recomendam que crianças com síndrome de Down abstenham-se do consumo de brássicas, grupo de hortaliças que incluem brócolis, couve, couve-flor, couve-de-bruxelas, nabo, rabanete, rúcula e agrião. Eu discordo e já explico o por quê. O motivo da restrição das brássicas, por estes profissionais, é a preocupação com o funcionamento da tireóide. 
A glândula tireóide é responsável pela produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que regulam o metabolismo, processos químicos e físicos no organismo. Estima-se que entre 30 e 40% das pessoas com síndrome de Down desenvolvam hipotireoidismo, com baixa produção dos hormônios da tireóide.
O hipotireoidismo pode se desenvolver em qualquer fase da vida trazendo consigo sintomas como cansaço, intolerância ao frio, pele seca, áspera ou fria, prisão de ventre, sonolência, apatia, aumento de peso e rouquidão na voz. O diagnóstico definitivo vem com a análise periódica dos níveis sanguíneos dos hormônios T3, T4 e TSH. Comprovado o diagnóstico, o tratamento baseia-se na reposição hormonal durante toda a vida.
Quais são as causas do hipotireoidismo?
São várias as causas do hipotireoidismo, incluindo problemas autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto, redução do tecido tireoidiano por iodo radioativo ou por cirurgia, deficiência de iodo, doença de Graves, uso de determinados medicamentos (carbonato de lítio, amiodarona, propiltiouracil e metimazol), erros inatos da síntese de hormônios tireoidianos, deficiências hipofisárias e hipotalâmicas, resistência periférica aos hormônios tireoidianos e doenças congênitas.
A tireóide também é muito afetada por metais pesados (alumínio, chumbomercúrioarsênicocádmio), pelo glúten, soja, além dos glicosinolatos e isotiocianatos das brássicas, os quais podem interferir no uso do iodo pela glândula. Altas quantidades de vegetais crucíferos podem desencadear o hipotireoidismo caso o iodo também esteja em quantidades insuficientes na dieta (Fenwick, Heaney e Mullin, 1983). Os minerais iodo, zinco e selênio são  fundamentais para a produção de hormônios da tireóide na forma ativa. O equilíbrio entre a quantidade de iodo e a quantidade de isotiocianatos das brássicas determina em parte a quantidade de hormônios que serão produzidos.
A causa exata do hipotireoidismo na síndrome de Down é desconhecida (Cebeci e Yildiz, 2013). Entendo que os médicos estejam tentando prevenir o problema reduzindo-se a oferta de brócolis e outros vegetais do grupo das brássicas. Contudo, o desenvolvimento do hipotireoidismo pode estar relacionada a vários fatores inerentes à própria síndrome, assim como a uma série de fatores externos.
Por quê não concordo com a exclusão completa destes alimentos?
- Estudo de Masci e colaboradores (2015) mostrou que sucos de brássicas protegem as células contra a toxicidade do peptídio beta amilóide, responsável pela doença de Alzheimer. Este ao meu ver é um problema muito maior na vida de indivíduos com síndrome de Down do que o hipotireoidismo.
- As brássicas fornecem vitaminas, minerais, fibras e os tais glicosinolatos, agentes eficientes no reparo celular, reduzindo o risco de câncer, doenças cardiovasculares e inflamatórias. 
- As brássicas são uma fonte adicional de colina,  nutriente fundamental para a melhoria do funcionamento cerebral, da atenção, da cognição espacial, além de prevenir o declínio da memória. A colina também ajuda a retardar o Alzheimer, estimulando a formação de novos neurônios. A gema de ovo é bastante rica em colina. Dentre os alimentos de origem vegetal destacam-se o brócolis e a couve-flor. Mulheres devem aumentar o consumo de colina especialmente se estiverem grávidas ou amamentando criança com síndrome de Down (Moon et al., 2010Velazquez et al., 2013).
- Crianças com síndrome de Down acompanhadas de autismo também parecem se beneficiar do consumo de sulforafano, presente no brócolis. Após 18 semanas de uso, as interações sociais e comunicação verbal melhoram (Singh et al., 2014).
Dicas importantes:
- Ofertar boas fontes de zinco. Este mineral é co-fator da enzima Desiodase tipo 2, que converte o hormônio T4 (inativo) em T3 (forma ativa). O zinco também faz parte dos receptores para o T3. Destacam-se como boas fontes os frutos do mar, ovos caipiras, sementes (girassol, linhaça, ect), aveia, amendoim, amêndoas, avelã, castanhas e lentilha.
- Incluir fontes de selênio na dieta. Este mineral é co-fator da enzimas Desiodase tipo 1, igualmente importante para a ativação do hormônio T3. Castanha do Brasil (Pará), semente de girassol e alho cru são boas fontes de selênio.
- Inclua diariamente fontes de iodo, que podem vir do sal iodado, de algas e frutos do mar.
- Alimentos que contém cianetos (brócolis, couve de bruxelas, mandioca, rabanete) não devem ser consumidos em excesso. Contudo também não se deve eliminá-los totalmente pois seus compostos contribuem para a prevenção do Alzheimer e de vários tipos de câncer. Para minimizar o efeito dos cianetos oferte todos os alimentos deste grupo cozidos.
- Evite o consumo excessivo de cloro, pois ele também está relacionado com o bloqueio de iodo na tireóide. Utilize água filtrada ou mineral e evite o uso do adoçante sucralose.
- Caso o hormônio da tireóide já esteja sendo usado, evite alimentos que contenham soja por pelo menos 4 horas após a ingestão do hormônio sintético para não prejudicar sua absorção. Além do grão de soja e derivados como leite de soja e tofu, muitos alimentos industrializados contém proteína de soja na composição como peito de peru, salsicha ou são feitos com farinha de soja. Fique atento às embalagens.
 FONTE: Andreia Torres - Nutricionista e pesquisadora da Universidade de Brasília